Há dois dias da chegada do presidente Barack Obama (foto) ao Brasil, telegramas vazados pelo siteWikiLeaks revelam que a falta de ação do Governo brasileiro contra os efeitos do racismo praticado contra os negros – mais da metade da população – faz parte da agenda e das preocupações dos EUA com o Brasil.
O Brasil é o país com maior população negra do mundo fora da África - 51,3%, segundo a última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD), do IBGE - com mais de 95 milhões de afro-brasileiros. Para os diplomatas americanos, 50% dos brasileiros seriam considerados negros nos EUA.
Em 2008, os Governos brasileiro e americano assinaram um Plano de Ação para Promoção da Igualdade Racial (JAPER, na sigla em inglês) um acordo bilateral contra a discriminação racial, que tem como objetivo estabelecer parcerias de longo prazo para combater a desigualdade racial nas áreas da Educação, Saúde, Cultura, Justiça, Habitação, Trabalho e Desenvolvimento Econômico.
Telegramas vazados
A preocupação americana fica clara em um pacote de 25 telegramas da embaixada dos EUA, em Brasília e do consulado em S. Paulo, que abrangem o período de 2004 a 2009, em que diplomatas concluem que os brasileiros não dão a devida atenção ao assunto. “Muitos alegam que o racismo não existe, apesar das evidências esmagadoras do contrário”, diz um telegrama, revelado pelo Jornal O Globo.
"A discriminação contra afro-brasileiros mancha a reputação internacional do Brasil de país tolerante e lar acolhedor para centenas de grupos indígenas e imigrantes de todos os cantos do mundo", afirma outro.
Para diplomatas norte-americanos a vontade dos Governos brasileiros em tomar atitudes concretas em relação à discriminação racial é questionável. Eles não vêem medidas objetivas nos setores público e privado para acabar com as dificuldades sociais e econômicas pelas quais passam os negros brasileiros.
"A verdadeira questão é se os brasileiros, como um todo, estão prontos para reconhecer o problema e estão dispostos a agir", diz outro telegrama.
Declaração
O acompanhamento da questão racial no Brasil pelo Governo americano fica clara também em telegrama, agora vazado pelo WikiLeaks com a declaração da então ministra chefe da SEPPIR, Matilde Ribeiro, que, em 2007, disse não considerar racismo “quando um negro se insurge contra um branco”. De acordo com um diplomata dos EUA, a declaração ajudou a chamar a atenção para o assunto.
Outro tema que também é monitorado é o das cotas raciais nas universidades públicas. Os americanos captaram as impressões ouvidas em diversos setores da sociedade de que “a questão é controversa”.
Atualmente 108 universidades brasileiras, já dispõe de algum tipo de ação afirmativa por iniciativa de seus Conselhos Superiores. Mais da metade delas adotaram a reserva de vagas, com cotas para negros e indígenas.
As Ações Afirmativas no Governo, porém, se restringem ao Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, que adota, por intermédio do Instituto Rio Branco, uma política de cotas para jovens negros interessados em seguir a carreira diplomática.
Este ano, o Supremo Tribunal Federal deverá julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo Partido Democratas (DEM), que pretende seja declarada inconstitucional a política de cotas para negros e indígenas adotado pela Universidade de Brasília (UnB). Se isso acontecer todo o sistema de cotas, em todas as Universidades, será declarado inconstitucional.
Fonte: Afropress
Este blog é um espaço para divulgar e fazer circular questões e reflexões relativas ao racismo, igualdade racial, educação, filosofia, sociologia, história, movimento negro, cultura afro-brasileira e África. Por um mundo sem racismo.
segunda-feira, 21 de março de 2011
sábado, 19 de março de 2011
Visita de Obama: Dilma sugere construção entre iguais e fim da "retórica vazia"
Em clima protocolar, hoje, 19 de março, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou ao Palácio do Planalto, em Brasília, nessa que é a sua primeira visita à América Latina. Com cerca de 30 minutos de atraso, Obama cumprimentou a presidente Dilma Rousseff e seus ministros, dentre eles o ministro da fazenda Guido Mantega e
das relações exteriores, Antônio Patriota.
Obama é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Em 2008, durante o processo eleitoral, ativistas negros de todo o mundo manifestaram apoio a sua candidatura que representou um marco para o mundo, sobretudo, nos EUA, um país marcado por forte violência racial, em que negros sofriam ataques de grupos extremistas e a própria lei promovia segregação formal, o que se seguiu até a década de sessenta, quando da explosão dos movimentos civis liderados por líderes como Martin Luther King e Rosa Parks.
Distante da conquista racial alcançada pelos Estados Unidos por ter um governante negro, o Brasil, que tem a população de pelo menos 45% de afrodescendentes, apresentou ao presidente Obama um Brasil diferente da realidade das ruas. A cerimônia aparentemente não contou com a presença dos ministros negros do governo Dilma, como Orlando Silva (Esporte) e Luiza Bairros (Seppir), reforçando a falta de visibilidade dos personagens negros na política nacional, o que comprova que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para ser de fato uma nação que respeita a diversidade racial.
Chamou à atenção também na cerimônia de chegada de Obama, as apresentações culturais exibidas à primeira-dama estadunidense, Michele Obama, como os grupos Raízes do Brasil, de capoeira, e a banda percussiva de mulheres, Batalá, desconhecidos para o público brasileiro. Esperava-se, por exemplo, grupos tradicionais da cultura negra brasileira, como, por exemplo, o grupo Olodum, Ilê Aiyê ou a banda Didá, primeira banda percussiva de mulheres do Brasil, criada pelo saudoso Neguinho do Samba, invetor do Samba-Reggae.
das relações exteriores, Antônio Patriota.
Obama é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Em 2008, durante o processo eleitoral, ativistas negros de todo o mundo manifestaram apoio a sua candidatura que representou um marco para o mundo, sobretudo, nos EUA, um país marcado por forte violência racial, em que negros sofriam ataques de grupos extremistas e a própria lei promovia segregação formal, o que se seguiu até a década de sessenta, quando da explosão dos movimentos civis liderados por líderes como Martin Luther King e Rosa Parks.
Distante da conquista racial alcançada pelos Estados Unidos por ter um governante negro, o Brasil, que tem a população de pelo menos 45% de afrodescendentes, apresentou ao presidente Obama um Brasil diferente da realidade das ruas. A cerimônia aparentemente não contou com a presença dos ministros negros do governo Dilma, como Orlando Silva (Esporte) e Luiza Bairros (Seppir), reforçando a falta de visibilidade dos personagens negros na política nacional, o que comprova que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para ser de fato uma nação que respeita a diversidade racial.
Chamou à atenção também na cerimônia de chegada de Obama, as apresentações culturais exibidas à primeira-dama estadunidense, Michele Obama, como os grupos Raízes do Brasil, de capoeira, e a banda percussiva de mulheres, Batalá, desconhecidos para o público brasileiro. Esperava-se, por exemplo, grupos tradicionais da cultura negra brasileira, como, por exemplo, o grupo Olodum, Ilê Aiyê ou a banda Didá, primeira banda percussiva de mulheres do Brasil, criada pelo saudoso Neguinho do Samba, invetor do Samba-Reggae.

Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República/Divulgação
Discursos
Em discurso no Planalto, a presidente Dilma disse estar honrada em receber Obama e ressaltou o histórico momento, no qual a primeira mulher presidente do Brasil se encontra com o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Lembrou do ex-presidente Lula, classificando-o como "um homem do povo", que proporcionou cidadania para os brasileiros, mulheres e homens que viviam à margem da sociedade.
Dilma disse, também, que Obama encontrou o país "no momento mais vibrante" e que o Brasil seria "um dos mais dinâmicos mercados do mundo". Frisou, entretanto, que ainda é preciso tratar das contradições na relação entre os dois países, como os "desequilíbrios econômicos", criticando as ações protecionistas dos EUA.
A presidente pontuou em seu discurso que, embora tardias, diante da crise econômica mundial, as reformas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) são necessárias e importantes. Já em relação a Organização das Nações Unidas (ONU) comentou que ainda existe a possibilidade e oportunidades de antecipação nas reformas, sugerindo o interesse do Brasil em ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança, a mais importante instância da organização global.
Reforçando a ideia da participação brasileira no Conselho de Segurança da ONU, Dilma remeteu-se ao histórico brasileiro de diálogo e tolerância. Segundo a presidente, "o Brasil tem o compromisso com a paz, a democracia e o consenso", lembrando a relação pacífica do país com os seus vizinhos de fronteiras.
Na sequência, argumentou que no passado existia uma "retórica vazia" na relação entre o Brasil e os Estados Unidos e que espera, nesta nova fase de aproximação, "uma construção entre iguais, por mais distintos que sejam esses países".
Apesar de ressaltar o Brasil como um país multiétnico, no qual convivem distintas e ricas culturas, a presidente Dilma não citou, em seu discurso, o Plano Brasil-Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Étnica e Racial (JAPER), acordo diplomático assinado em 2008 pelas duas nações, que prevê uma atuação conjunta dos governos nas áreas de educação, segurança, saúde, cultura e comunicação e justiça ambiental, isso no ano internacional dos afrodescendentes, criado pela ONU. Da mesma forma, no discurso de Obama não houve menção ao Plano que é considerado estratégico para a diplomacia dos Estados Unidos no Brasil. Há expectativa que na passagem de Obama pelo Rio de Janeiro o tema seja mencionado.
Obama, em seu discurso, agradeceu a presente Dilma pelo fortalecimento das alianças nas relações entre Estados Unidos e Brasil, referenciou a nação brasileira como a segunda economia das Américas, citando a criação do G-20, grupo das vinte maiores potências mundiais, o que permite um maior protagonismo do Brasil.
O presidente estadunidense falou dos acordos entre os dois países, que incluem dialógos financeiros, expansão da transferência tecnológica, enalteceu o status do Brasil no desenvolvimento de energia limpa e como o país é estratégico no fornecimento de petróleo e na transferência tecnológica dos biocombustíveis. Na área militar, enfatizou a importante parceira do Brasil no tratamento da crise do Haiti, no combate ao contrabando de armas nucleares, entre outros temas. Obama não deixou de falar sobre a crise na Líbia, que está sendo discutida pela ONU, dizendo que há urgência de se fazer cumprir os direitos humanos naquele país.
Diferentemente da visita de Obama ao Brasil, que está em destaque na mídia nacional, o principal assunto dos Estados Unidos é a crise política na Líbia. Na opinião de setores da mídia nos Estados Unidos, neste momento Obama deveria estar em solo estadunidense e direcionar todos os esforços para resolver o grave problema do país africano. Nessas análises, os Estados Unidos tem perdido espaço de liderança para países como França e Reino Unido.
Paulo Rogério e Keila Costa - Correio Nagô –
http://correionago.ning.com/profiles/blog/show?id=4512587:BlogPost:65716&xgs=1&xg_source=msg_share_post
sábado, 5 de março de 2011
Dia da Mulher Angolana
A efeméride, de particular importância, não só para as mulheres, mas também para os restantes membros da sociedade, deve-se ainda ao reconhecimento por si prestado e que, com coragem, determinação e com o preço das suas vidas, contribuíram para que Angola fosse hoje um país livre e independente.
A mulher angolana desempenhou sempre um papel de destaque no processo de libertação do país, com exemplos representativos dos feitos heróicos da rainha NJinga Mbandi, num passado longínquo, e de Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos, Teresa Afonso, Lucrécia Paím e outras anónimas.

Este ano, as mulheres angolanas são exortadas a transformarem as comemorações da data numa jornada de reflexão, que permita um debate sadio e construtivo, tendo em vista a busca de soluções consensuais para os seus problemas.
Assim, considera-se imprescindível que o Estado continua a apoiar à luta pela erradicação de atitudes que contrastem com a importância do papel social da mulher ou que violem os seus direitos individuais e colectivos, criando condições para a sua protecção.
No caso vertente da República de Angola, e não obstante as conquistas alcançadas, há a consciência de que a mulher angolana continua ainda a enfrentar inúmeros problemas para a sua plena emancipação.
O alto grau de analfabetismo que grassa no seio das mulheres, a desigualdade nas oportunidades de emprego e de ascensão socio-profissional, a persistência da violência no lar, que atinge essencialmente as mulheres e os filhos, são alguns dos muitos problemas para os quais a sociedade civil deverá prestar uma atenção especial.
A data, de relevante importância para o povo angolano, comemora-se num momento em que se consolida a paz, a reconstrução nacional, se começa a dar os primeiros frutos e a sociedade caminha, de forma irreversível, para um maior equilíbrio do género em todos os níveis da estrutura social e do Estado.
A Organização da Mulher Angolana (OMA), criada em 1962 como ala feminina do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), teve uma influência crucial no apoio às forças guerrilheiras dentro e fora de Angola.
FONTE : ANGOLA PRESS
A mulher angolana desempenhou sempre um papel de destaque no processo de libertação do país, com exemplos representativos dos feitos heróicos da rainha NJinga Mbandi, num passado longínquo, e de Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos, Teresa Afonso, Lucrécia Paím e outras anónimas.

Este ano, as mulheres angolanas são exortadas a transformarem as comemorações da data numa jornada de reflexão, que permita um debate sadio e construtivo, tendo em vista a busca de soluções consensuais para os seus problemas.
Assim, considera-se imprescindível que o Estado continua a apoiar à luta pela erradicação de atitudes que contrastem com a importância do papel social da mulher ou que violem os seus direitos individuais e colectivos, criando condições para a sua protecção.
No caso vertente da República de Angola, e não obstante as conquistas alcançadas, há a consciência de que a mulher angolana continua ainda a enfrentar inúmeros problemas para a sua plena emancipação.
O alto grau de analfabetismo que grassa no seio das mulheres, a desigualdade nas oportunidades de emprego e de ascensão socio-profissional, a persistência da violência no lar, que atinge essencialmente as mulheres e os filhos, são alguns dos muitos problemas para os quais a sociedade civil deverá prestar uma atenção especial.
A data, de relevante importância para o povo angolano, comemora-se num momento em que se consolida a paz, a reconstrução nacional, se começa a dar os primeiros frutos e a sociedade caminha, de forma irreversível, para um maior equilíbrio do género em todos os níveis da estrutura social e do Estado.
A Organização da Mulher Angolana (OMA), criada em 1962 como ala feminina do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), teve uma influência crucial no apoio às forças guerrilheiras dentro e fora de Angola.
FONTE : ANGOLA PRESS
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Ministra se compromete a fortalecer sistema de cotas
Em entrevista concedida ao Portal Áfricas, ontem (31), a Ministra Luiza Bairros, 57, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR) comentou sobre suas principais metas agora à frente de cargo executivo no governo federal. A atual ministra ocupava anteriormente cargo titular na Secretaria de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia (Sepromi), residindo na cidade de Salvador.

Ministra Luiza Bairros - (Fotos: Elói Correia/Agecom)
A ministra Luiza Bairros nasceu no Estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre, é socióloga, e militou no Movimento Negro Unificado (MNU).
Sobre os investimentos do ministério nos Clubes Sociais Negros a ministra destacou a estratégia de ampliar a relação da SEPPIR com a Fundação Cultural Palmares como forma de fortalecer o programa “Clubes Sociais Negros”. A ministra destacou ainda que é necessário aprofundar a relação da SEPPIR com a Fundação Palmares e que vai trabalhar para construir uma relação política a altura das duas instituições.
Confira abaixo entrevista.
Áfricas – Quais as suas principais metas enquanto ministra da Igualdade Racial?
Ministra Luiza Bairros - Este período dos três primeiros meses do ano é um momento importante para delinear os principais rumos da gestão da SEPPIR, estamos agora no final de janeiro terminando o processo de transição. Venho defendendo que a SEPPIR deve pensar três eixos na atual gestão o primeiro diz respeito à sua organização interna, onde é preciso fazer alguns rearranjos do seu funcionamento, tendo em vista as metas do atual governo da presidente Dilma Roussef (PT) que são erradicação da miséria, educação, saúde e segurança pública. O segundo eixo é o da relação da SEPPIR com os demais ministérios e o terceiro é o da relação do nosso ministério com a sociedade civil, que acontece principalmente através do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), já estamos com a proposta da primeira reunião do conselho ser no início do mês de março. Queremos ainda convocar setores do movimento negro organizados que não estejam representados no atual conselho, mas com atuação de referência na sociedade civil, como por exemplo, as redes de profissionais militantes da área de saúde e a Associação Brasileira de Pesquisadores (as) Negros (as) (ABPN).
Áfricas – Qual a posição da senhora frente ao processo de implementação do Estatuto da Igualdade Racial no que diz respeito a política de cotas?
Ministra Luiza Bairros - A relação é de apoio incondicional ao instrumento das cotas, é algo válido para a questão da igualdade racial, são ferramentas que provocam mudanças significativas em nossa realidade. Cada vez mais este instrumento das cotas está sendo legitimado como medida importante para a questão racial no Brasil. Agora os movimentos sociais organizados precisam estar atentos para o processo que está no Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do Partido Democrata (DEM), contrário às cotas, para que não percamos o direito das cotas nas instituições universitárias do país. (O Partido Democratas (DEM) ajuizou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a utilização de critérios raciais para o acesso em universidades públicas)
Áfricas – Desde 2005 os municípios aderem ao Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (FIPIR), que por sua vez se constituiu enquanto espaço importante de geração de políticas raciais no campo institucional. Qual a expectativa de investimentos no FIPIR?
Ministra Luiza Bairros - Houve por parte da SEPPIR um grande investimento no inicio da sua existência no FIPIR (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial), a nossa intenção é de também oferecer investimentos. Pois o que acontece é que existe uma dificuldade das políticas propostas em nível federal conseguirem serem identificadas pelas populações nos municípios. E o FIPIR proporciona isso, possibilita que exista um diálogo entre gestores públicos das esferas federal, estadual e municipal. Iremos ainda consultar o nosso orçamento, para ver se podemos viabilizar a realização de convênios com governos para investir no fortalecimento dos órgãos do Fórum.
Áfricas – Quais serão as políticas da SEPPIR voltadas as mídias alternativas que tem como foco o debate sobre a questão racial?
Ministra Luiza Bairros - Existe uma demanda muito grande e os investimentos a serem realizados dependem do diálogo que iremos efetuar com estes setores da sociedade. Temos uma proposta de criarmos editais específicos, voltados para estas ferramentas de comunicação que contribuem para o aprofundamento de debates importantes no Brasil, esta é uma proposta que está sendo analisada. Considero de maior importância à existência destas mídias alternativas, porque contribuem de modo contrário à veiculação da visão por vezes distorcida da mídia nacional.
Áfricas – Qual a opinião da senhora sobre a polêmica em torno de trechos da obra “Caçada de Pedrinho”, de Monteiro Lobato?
Ministra Luiza Bairros - Em primeiro lugar acho que está questão foi tratada sem profundidade por alguns setores acerca do parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), pois o parecer foi todo coerente com a política de diretrizes de distribuição de livros didáticos nas escolas. O livro do Monteiro Lobato, por exemplo, já contava com algumas contextualizações, agora acredito que devam ser incluídas contextualizações que comentem sobre o fato de que o livro foi escrito em uma época em que o racismo vigorava no país há muito tempo, e os estudantes precisam ser informados disto. Pretendo neste mês de fevereiro me reunir com o ministro da Educação para gerarmos uma posição de consenso em torno do tema

Ministra Luiza Bairros - (Fotos: Elói Correia/Agecom)
A ministra Luiza Bairros nasceu no Estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre, é socióloga, e militou no Movimento Negro Unificado (MNU).
Sobre os investimentos do ministério nos Clubes Sociais Negros a ministra destacou a estratégia de ampliar a relação da SEPPIR com a Fundação Cultural Palmares como forma de fortalecer o programa “Clubes Sociais Negros”. A ministra destacou ainda que é necessário aprofundar a relação da SEPPIR com a Fundação Palmares e que vai trabalhar para construir uma relação política a altura das duas instituições.
Confira abaixo entrevista.
Áfricas – Quais as suas principais metas enquanto ministra da Igualdade Racial?
Ministra Luiza Bairros - Este período dos três primeiros meses do ano é um momento importante para delinear os principais rumos da gestão da SEPPIR, estamos agora no final de janeiro terminando o processo de transição. Venho defendendo que a SEPPIR deve pensar três eixos na atual gestão o primeiro diz respeito à sua organização interna, onde é preciso fazer alguns rearranjos do seu funcionamento, tendo em vista as metas do atual governo da presidente Dilma Roussef (PT) que são erradicação da miséria, educação, saúde e segurança pública. O segundo eixo é o da relação da SEPPIR com os demais ministérios e o terceiro é o da relação do nosso ministério com a sociedade civil, que acontece principalmente através do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), já estamos com a proposta da primeira reunião do conselho ser no início do mês de março. Queremos ainda convocar setores do movimento negro organizados que não estejam representados no atual conselho, mas com atuação de referência na sociedade civil, como por exemplo, as redes de profissionais militantes da área de saúde e a Associação Brasileira de Pesquisadores (as) Negros (as) (ABPN).
Áfricas – Qual a posição da senhora frente ao processo de implementação do Estatuto da Igualdade Racial no que diz respeito a política de cotas?
Ministra Luiza Bairros - A relação é de apoio incondicional ao instrumento das cotas, é algo válido para a questão da igualdade racial, são ferramentas que provocam mudanças significativas em nossa realidade. Cada vez mais este instrumento das cotas está sendo legitimado como medida importante para a questão racial no Brasil. Agora os movimentos sociais organizados precisam estar atentos para o processo que está no Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do Partido Democrata (DEM), contrário às cotas, para que não percamos o direito das cotas nas instituições universitárias do país. (O Partido Democratas (DEM) ajuizou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a utilização de critérios raciais para o acesso em universidades públicas)
Áfricas – Desde 2005 os municípios aderem ao Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (FIPIR), que por sua vez se constituiu enquanto espaço importante de geração de políticas raciais no campo institucional. Qual a expectativa de investimentos no FIPIR?
Ministra Luiza Bairros - Houve por parte da SEPPIR um grande investimento no inicio da sua existência no FIPIR (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial), a nossa intenção é de também oferecer investimentos. Pois o que acontece é que existe uma dificuldade das políticas propostas em nível federal conseguirem serem identificadas pelas populações nos municípios. E o FIPIR proporciona isso, possibilita que exista um diálogo entre gestores públicos das esferas federal, estadual e municipal. Iremos ainda consultar o nosso orçamento, para ver se podemos viabilizar a realização de convênios com governos para investir no fortalecimento dos órgãos do Fórum.
Áfricas – Quais serão as políticas da SEPPIR voltadas as mídias alternativas que tem como foco o debate sobre a questão racial?
Ministra Luiza Bairros - Existe uma demanda muito grande e os investimentos a serem realizados dependem do diálogo que iremos efetuar com estes setores da sociedade. Temos uma proposta de criarmos editais específicos, voltados para estas ferramentas de comunicação que contribuem para o aprofundamento de debates importantes no Brasil, esta é uma proposta que está sendo analisada. Considero de maior importância à existência destas mídias alternativas, porque contribuem de modo contrário à veiculação da visão por vezes distorcida da mídia nacional.
Áfricas – Qual a opinião da senhora sobre a polêmica em torno de trechos da obra “Caçada de Pedrinho”, de Monteiro Lobato?
Ministra Luiza Bairros - Em primeiro lugar acho que está questão foi tratada sem profundidade por alguns setores acerca do parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), pois o parecer foi todo coerente com a política de diretrizes de distribuição de livros didáticos nas escolas. O livro do Monteiro Lobato, por exemplo, já contava com algumas contextualizações, agora acredito que devam ser incluídas contextualizações que comentem sobre o fato de que o livro foi escrito em uma época em que o racismo vigorava no país há muito tempo, e os estudantes precisam ser informados disto. Pretendo neste mês de fevereiro me reunir com o ministro da Educação para gerarmos uma posição de consenso em torno do tema
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Às vésperas do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, Ban Ki-moon faz apelo para o fim do racismo
Enquanto as Nações Unidas se preparam para celebrar em 2011 o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon fez um apelo à comunidade internacional para que o racismo seja definitivamente erradicado. “A comunidade internacional não pode aceitar que grupos inteiros sejam marginalizados por causa da cor de sua pele”, disse em evento realizado hoje (10/12) para o lançamento do Ano, na sede da ONU, em Nova York.
Ban destacou que africanos e afrodescendentes estão entre os povos mais afetados pelo racismo e, muitas vezes, têm negados seus direitos humanos vitais, como o acesso a serviços de saúde e educação de qualidade. O Secretário-Geral lembrou que estes problemas são históricos e condenou o tráfico transatlântico de escravos como uma terrível tragédia, não só pela barbárie, mas também por sua magnitude. “Até hoje, os povos africanos sofrem as consequências destes atos”, acrescentou.
O Ano foi proclamado pela Assembleia Geral em dezembro de 2009, por meio de uma resolução que cita a necessidade do fortalecimento de ações nacionais e da cooperação regional e internacional para assegurar que os povos afrodescendentes desfrutem inteiramente de seus direitos econômico, cultural, social e cultural, assim como aumentar sua integração em todos os aspectos da sociedade e para promover maior conhecimento e respeito por sua herança cultural.
“Como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, ‘todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos’”, disse Ban. “Se quisermos fazer destas palavras uma realidade temos que erradicar o racismo de uma vez por todas. O sucesso do Ano Internacional requer concentração de esforços em todo o Sistema das Nações Unidas e em níveis regionais e internacionais, com o maior engajamento e participação possível.”
Fonte: http://unicrio.org.br/as-vesperas-do-ano-internacional-dos-povos-afrodescendentes-ban-ki-moon-faz-apelo-para-o-fim-do-racismo/(acesso em 04/01/11)
Ban destacou que africanos e afrodescendentes estão entre os povos mais afetados pelo racismo e, muitas vezes, têm negados seus direitos humanos vitais, como o acesso a serviços de saúde e educação de qualidade. O Secretário-Geral lembrou que estes problemas são históricos e condenou o tráfico transatlântico de escravos como uma terrível tragédia, não só pela barbárie, mas também por sua magnitude. “Até hoje, os povos africanos sofrem as consequências destes atos”, acrescentou.
O Ano foi proclamado pela Assembleia Geral em dezembro de 2009, por meio de uma resolução que cita a necessidade do fortalecimento de ações nacionais e da cooperação regional e internacional para assegurar que os povos afrodescendentes desfrutem inteiramente de seus direitos econômico, cultural, social e cultural, assim como aumentar sua integração em todos os aspectos da sociedade e para promover maior conhecimento e respeito por sua herança cultural.
“Como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, ‘todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos’”, disse Ban. “Se quisermos fazer destas palavras uma realidade temos que erradicar o racismo de uma vez por todas. O sucesso do Ano Internacional requer concentração de esforços em todo o Sistema das Nações Unidas e em níveis regionais e internacionais, com o maior engajamento e participação possível.”
Fonte: http://unicrio.org.br/as-vesperas-do-ano-internacional-dos-povos-afrodescendentes-ban-ki-moon-faz-apelo-para-o-fim-do-racismo/(acesso em 04/01/11)
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
ONU proclama 2011 como Ano Internacional para Afro-Descendentes
Em mensagem à Assembleia-Geral, Ban Ki-moon diz que o evento pretende reforçar o compromisso político para erradicar a discriminação.
As Nações Unidas lançaram, nesta sexta-feira em Nova York, o Ano Internacional para Descendentes de Africanos.
Erradicar a discriminação
Num discurso, o Secretário-Geral, Ban Ki-moon explicou o objetivo do evento, que será marcado em 2011.
Diversidade
Segundo ele, o Ano Internacional tentará fortalecer o compromisso político de erradicar a discriminação a descendentes de africanos. A iniciativa também quer promover o respeito à diversidade e herança culturais.
Numa entrevista à Rádio ONU, de Cabo Verde, antes do lançamento, o historiador guineense Leopoldo Amado, falou sobre a importância de se conhecer as origens africanas ao comentar o trabalho feito com quilombolas no Brasil.
Dimensão
"Esses novos quilombolas têm efetivamente o objetivo primordial de fortalecer linhas de contato. No fundo restituir-se. Restituir linhas de contatos, restituir aquilo que foi de alguma forma quebrada, aquilo que foi de alguma forma confiscada dos africanos, que é a possibilidade de restabelecer a ligação natural entre aqueles que residem em África, que continuam a residir em África e a dimensão diaspórica deste mesmo resgate. A dimensão diaspórica da África é efetivamente larga e grande", disse.
Ban lembrou que pessoas de origem africana estão entre as que mais sofrem com o racismo, além de ter negados seus direitos básicos à saúde de qualidade e educação.
Declaração de Durban
A comunidade internacional já afirmou que o tráfico transatlântico de escravos foi uma tragédia apavorante não apenas por causa das barbáries cometidas, mas pelo desrespeito à humanidade.
O Secretário-Geral finalizou a mensagem sobre o Ano Internacional para os Descendentes de Africanos, lembrando a Declaração de Durban e o Programa de Ação que pede a governos para assegurar a integração total de afro-descedentes em todos os aspectos da sociedade.
FONTE: Site da ONU - Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque. 10/12/2010
As Nações Unidas lançaram, nesta sexta-feira em Nova York, o Ano Internacional para Descendentes de Africanos.
Erradicar a discriminação
Num discurso, o Secretário-Geral, Ban Ki-moon explicou o objetivo do evento, que será marcado em 2011.
Diversidade
Segundo ele, o Ano Internacional tentará fortalecer o compromisso político de erradicar a discriminação a descendentes de africanos. A iniciativa também quer promover o respeito à diversidade e herança culturais.
Numa entrevista à Rádio ONU, de Cabo Verde, antes do lançamento, o historiador guineense Leopoldo Amado, falou sobre a importância de se conhecer as origens africanas ao comentar o trabalho feito com quilombolas no Brasil.
Dimensão
"Esses novos quilombolas têm efetivamente o objetivo primordial de fortalecer linhas de contato. No fundo restituir-se. Restituir linhas de contatos, restituir aquilo que foi de alguma forma quebrada, aquilo que foi de alguma forma confiscada dos africanos, que é a possibilidade de restabelecer a ligação natural entre aqueles que residem em África, que continuam a residir em África e a dimensão diaspórica deste mesmo resgate. A dimensão diaspórica da África é efetivamente larga e grande", disse.
Ban lembrou que pessoas de origem africana estão entre as que mais sofrem com o racismo, além de ter negados seus direitos básicos à saúde de qualidade e educação.
Declaração de Durban
A comunidade internacional já afirmou que o tráfico transatlântico de escravos foi uma tragédia apavorante não apenas por causa das barbáries cometidas, mas pelo desrespeito à humanidade.
O Secretário-Geral finalizou a mensagem sobre o Ano Internacional para os Descendentes de Africanos, lembrando a Declaração de Durban e o Programa de Ação que pede a governos para assegurar a integração total de afro-descedentes em todos os aspectos da sociedade.
FONTE: Site da ONU - Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque. 10/12/2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
Ensaísta brasileira emociona o Senegal
Ícone da literatura afro-brasileira, a escritora e ensaísta Conceição Evaristo foi uma das convidadas pela Fundação Cultural Palmares para participar da programação cultural do Brasil no III Festival Mundial de Artes Negras, no Senegal. Entre os 60 países convidados, o Brasil é o país homenageado e tem a maior delegação, com 362 personalidades, entre artistas, grupos culturais, intelectuais e cineastas.

Fotos: Elaine Hazin
Conceição Evaristo na Ilha de Gorée, ao lado da estatua que simboliza o fim da escravatura
Com o tema "Da representação à auto-apresentação do negro na literatura brasileira", a escritora integrou a programação de pensadores do Festival sobre a questão da diáspora africana. Em Gorée, Conceição reuniu intelectuais de países africanos. Emocionada afirmou que a experiência trouxe uma sensação "de volta à origem [...]. Não uma origem particular, mas de uma dor coletiva. Essa recordação, como um ato voluntário de resistência, nos faz acreditar que somos fortes e por isso recuperamos a vida".
Conceição Evaristo é Mestre em Literatura Brasileira pela PUC Rio, e Doutoranda em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Autora dos romances Ponciá Vicêncio, 2003 e Becos da Memória, 2006, Mazza Edições, a escritora lançou em 2008 a antologia Poemas da Recordação e outros Movimentos, Editora Nandyala, obra classificada entre os 50 finalistas do Prêmio Portugal Telecom, no ano de 2009.
Fonte: http://www.palmares.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=3104

Fotos: Elaine Hazin
Conceição Evaristo na Ilha de Gorée, ao lado da estatua que simboliza o fim da escravatura
Com o tema "Da representação à auto-apresentação do negro na literatura brasileira", a escritora integrou a programação de pensadores do Festival sobre a questão da diáspora africana. Em Gorée, Conceição reuniu intelectuais de países africanos. Emocionada afirmou que a experiência trouxe uma sensação "de volta à origem [...]. Não uma origem particular, mas de uma dor coletiva. Essa recordação, como um ato voluntário de resistência, nos faz acreditar que somos fortes e por isso recuperamos a vida".
Conceição Evaristo é Mestre em Literatura Brasileira pela PUC Rio, e Doutoranda em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Autora dos romances Ponciá Vicêncio, 2003 e Becos da Memória, 2006, Mazza Edições, a escritora lançou em 2008 a antologia Poemas da Recordação e outros Movimentos, Editora Nandyala, obra classificada entre os 50 finalistas do Prêmio Portugal Telecom, no ano de 2009.
Fonte: http://www.palmares.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=3104
Assinar:
Comentários (Atom)