terça-feira, 18 de agosto de 2009

A origem africana da filosofia



A tese da origem egípcia da Filosofia, das ciências e da arte em geral é confirmada pelos próprios autores gregos, sejam eles historiadores ou filósofos, alguns dos quais nunca fizeram mistério em volta das suas fontes e do lugar de sua formação filosófica. Cheikh Anta Diop, o fundador da egiptologia africana, foi sem duvida quem dedicou maior parte do seu tempo a essa questão histórica e filosófica fundamental e sua pesquisa foi continuada pelo seu discípulo Théophile Obenga. Obenga, na sua recente obra O Egito, a Grécia e a Escola de Alexandria, demonstrou, para além da origem egípcia da filosofia grega e, portanto, falando dela como um pensamento intercultural, trata também de maneira exaustiva a questão da estada por parte de muitos filósofos e homens de ciência grega no Egito, onde foram instruídos pelos sacerdotes dos Templos da Vida nas diversas escolas do Pensamento filosófico egípcio-faraônico. Trata-se de Tales, Sólon, Platão e, sobretudo, Pitágoras que, segundo os historiadores, estudou cerca de 23 anos no Egito.

Obenga demonstrou ainda a influência do pensamento egípcio nas reflexões de muitos filósofos e pensadores do mundo grego, tais como Anaximandro, Anaxímenes, Aristóteles, Demócrito, Empédocles, Anaxágora, Heráclito, Xenófones de Colofon e tantos outros. Crantor, primeiro crítico de Platão, narrava que os contemporânea de Platão riam dele por ter copiado sua República das instituições egípcias. Poder-se-ia também citar Aristóteles que, alem de discípulo de Platão, estudou com Eudosso de Cnido, o qual, por sua vez passou seis meses estudando Matemática e Astronomia com os sacerdotes egípcios. As descobertas egípcias não se restringiam somente aos números ou aos astros, mas formularam hoje aquilo que se tornou uma das conquistas mais significativas da humanidade, ou seja, o método científico chamado tep-hesed (o método correto e as regras para estudar a natureza).
Esse método do tep-heseb no Egito faraônico se tornou logos (razão) na antiga Grécia, razão teorética (teórica), discursiva e experimental na Europa depois de Galileu Galilei e, com Descartes, a lógica das ideias claras e distintas. O Egito faraônico foi ainda o precursor de muitas idéias que os gregos desenvolveram, como, por exemplo, a imortalidade da alma.
 

Imhotep (2655-2600 a.C.)

[A relação intelectual entre o Egito e a Grécia]

“As possibilidades das relações intelectuais entre o Egito e a Grécia é um fato histórico [...] São os próprios gregos que reivindicam para os egípcios a invenção da matemática, da astronomia, do direito, das instituições políticas, da medicina, da teologia, das artes plásticas, da sabedoria, da filosofia, dos jogos sociais. O entusiasmo dos gregos para com o saber do Vale do Nilo transformou-se até numa legenda: todos os sábios gregos ainda que não tinha isso até lá acreditavam na obrigação de passar algum tempo de estudo no país dos Faraós. Isso demonstra a força de atração que o Egito representava para os intelectuais gregos. [...] Antes dos seus contatos com os egípcios, os gregos não tinham praticamente não tinham contribuído em nada no antigo mundo Mediterrâneo. Trata-se de uma evidência histórica. [...] A Grécia deve ao Egito os seus primeiros filósofos. O pensamento egípcio exerceu uma certa influencia sobre o pensamento grego da mesma forma com hoje as ciências e as tecnologias norte-americanas dominam o mundo inteiro. Na antiguidade a supremacia cientifica do Egito não tinha equivalente na Grécia. Mas a escritura da história da humanidade segundo as temáticas indo-europeias exclusivas obscureceu voluntariamente os fatos que, no entanto são tão evidentes.” (Théophile Obenga. O Egito, a Grécia e a Escola de Alexandria).

Períodos da Filosofia Africana

1) Filosofia etíope e núbia caracterizada essencialmente por uma reflexão filosófica sobre grandes questões éticas
2) Filosofia egípcia faraônica, período em que se destacam quatro escolas: a Escola de Menfis, a Escola de Heliópolis a Escola de Hermópolis, a Escola de Tebes. Nesta escola se destacam grandes filósofos como Imhotep, Kagamnes, Merikare, Amenemhat, Amenhotep, Dualf, Anemope Akhenatem, que deixaram grandes sobras que influenciam o patrimônio filosófico atual.
3) Filosofia de Alexandria, de Cirene, de Cartago e de Hipona. Um dos mais famosos filósofos deste período é Santo Agostinho.
4) Filosofia Magrebina.
5) Filosofias das escolas medievais de Tombouctu.
6) Filosofia africana moderna e contemporânea.
 
Fonte: Revista de Filosofia. Editora Escala. São Paulo, Ano II, Nº14, páginas 58-59.