Este blog é um espaço para divulgar e fazer circular questões e reflexões relativas ao racismo, igualdade racial, educação, filosofia, sociologia, história, movimento negro, cultura afro-brasileira e África. Por um mundo sem racismo.
terça-feira, 3 de julho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Entrevista com filha de Malcon X
A filha de Betty
Herdeira. "Ser filha de Malcom X é fácil. Difícil foi ser filha de Betty, pobre, com outras seis irmãs". Foto: Felipe Milanez
Ser filha de Malcolm X é fácil. Difícil foi ser filha de Betty Shabazz, com outras seis irmãs, pobres, no Harlem.” Todas as vezes que encontro Malak Shabazz ela sempre prefere falar da mãe quando pergunto sobre seu pai. Nessa família de ativistas afro-americanos, não há um sem o outro. Malak é a caçula, e não chegou a conhecer Malcolm, morto quando Betty estava grávida. E como os pais, ela segue na luta por direitos humanos e justiça social. Nos últimos tempos, seu foco tem sido o feminismo. “Igualdade”, ela diz. “Equal rights.”
Na sede da National Action Network: House of Justice, o clima é triste, mas não como o do velório no dia anterior, de Gil Noble, um famoso âncora negro de tevê. Malak, metida em uma bata africana, toma o microfone: “Brother Gil era um amigo da família. Eu sei quem ia lá em casa. Muita gente diz que é amigo. Depois do filme Malcom X, de repente todo mundo era amigo. Mas no clima de ódio daquele tempo, ele sempre estava lá. E quando teve espaço na tevê, minha mãe cobrou dele para representar e defender o povo negro, o povo da diáspora africana. E ele fez. Gil também nos apoiou na luta para preservar o local onde meu pai foi assassinado, e hoje se chama The Malcolm X and Dra. Betty Shabazz Memorial and Educational Center.”
O centro fica a poucas quadras da House of Justice. No início do ano, uma bela exposição lembrava as “freedom sisters”, mulheres negras que lutaram pelos direitos civis. Agora em maio está em cartaz The Long Walk to Freedom, a longa marcha pela liberdade. Também com fotografias, gráficos e biografia de ícones do movimento pelos direitos civis.
O memorial ocupa o antigo Audubon Ballroom, local onde Malcolm X, aos 39 anos, foi assassinado na noite de 21 de fevereiro de 1965 por três integrantes da Nação do Islã. O edifício pertence à Columbia University e foi cedido em 2005 para uso da família por 99 anos, após intensa mobilização no fim dos anos 1980, quando a universidade quase derrubou o prédio.
A reforma foi bancada pela cidade de Nova York e pelo banco Chase e planejada pelo também conhecido arquiteto negro Max Bond, que estudou em Columbia. “Ainda faltam 97 anos, temos muita coisa para fazer aqui”, diz Malak, confiante. A exposição Freedom Sisters foi financiada pela Fundação Ford. Além do centro, a família dirige a Malcolm X Foundation, o X Legacy Inc., e uma série de planos de bolsas para estudantes negros, especialmente em medicina, em Columbia.
Há um belo salão de danças no segundo andar do memorial. Piso de madeira, telhado branco e um imponente mural. Malak emociona-se. Ela para no exato local do crime, próximo à janela, onde ficava o palco em que seu pai discursava. Na parede oposta, um grande mural resume a vida de Malcolm X. “Foi bem aqui que mataram ele. A minha mãe estava ali do lado, eu e minha irmã na barriga dela.” Qubilah Shabazz, segunda das irmãs, foi testemunha do crime (e acabaria presa em 1995 acusada- de encomendar a morte de Louis Farrakhan, que teria incentivado o assassinato de seu pai).
“As pessoas falam de meu pai, mas esquecem de Betty. Ela criou seis filhas sozinha. Estudou, fez doutorado. Organizou a luta pelos direitos, foi intensa ativista. E ela nos protegeu. Só nos demos conta do ódio que havia lá fora quando fomos à universidade.”
Malak é uma celebridade no Harlem. Nas ruas, apertos de mão, acenos. Descendente de italianos, pareço deslocado – o único não afrodescendente na reunião da House of Justice. Mas a identidade brasileira abre portas. “Eu tenho lido muito sobre os quilombos, que luta incrível os nossos irmãos travam no Brasil”, afirma Gary, um radialista de voz forte durante a cerimônia. “Meu pai queria unir os povos africanos. Na África, na América, todos os negros da diáspora imposta pela escravidão”, afirma a ativista. “Minha mãe adorava a Bahia. Foi muitas vezes para lá. Acho até que ela tinha algum namorado”, sorri.
A adoção do islamismo, talvez uma forma de protesto, é sustentada pelo que Malak diz ser sua fé. Cristãos e muçulmanos eram opostos na luta nos direitos civis, inclusive dentro do movimento negro. Ela lembra a histórica divergência entre seu pai e Martin Luther King. “Se batessem nele, Luther King iria oferecer a outra face. Meu pai partiria para a briga. Ele nunca aceitou a submissão.” Suas palavras, diz ela, fortaleciam a autoestima do afro-americano para lutar por seus direitos. “Hoje estamos vivendo um retrocesso.” A militante teme pelas eleições presidenciais deste ano. “Não é fácil (re)eleger um negro neste país racista.”
A conversa logo entra no tema das cotas raciais, as ações afirmativas. “Temos de ter acesso a direitos. Vivemos como exilados. Viemos embaixo de um navio, no porão. Contra a nossa vontade.” Ela fala em “direito para vivermos e justiça social”, o “direito de existir”. Contra os argumentos popularmente apresentados no Brasil, entre eles o de que as cotas pioram o nível da educação, é direta: “Isso é ridículo. Quem acredita nisso?”
A música está em cada canto do Harlem. Malak diz não gostar de rap (“É violência, degrada as mulheres”), mas mostra simpatia pelo hip-hop (“É um modo de vida. Como o jazz, usa a arte para abrir a mente e a alma”).
“A música é uma arma”, diz Gary, parceiro de Steve Wonder no famoso disco Songs In The Key of Life, enquanto conduz a cerimônia na House of Justice. “Com a música ninguém pode nos impedir de criar, de falar. E hoje, com a web, estamos livres das gravadoras. Ninguém pode nos impedir de distribuir”, incentiva ao microfone. “Uma revolução está sendo criada pela música. Temos de usar o poder da música, que é a mais poderosa forma de comunicação.” Malak aprova. A resistência e a esperança ela herdou, em igual medida, de Malcolm e Betty.
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-filha-de-betty/#.T9IUKt9kf6N.facebook
quarta-feira, 6 de junho de 2012
1º checo negro na história da Eurocopa
Alvo de racismo, lateral será 1º checo negro na história da Eurocopa
Theodor Gebre Selassie
- A imprensa checa não tem dúvidas em afirmar qual será o atleta da equipe cheia de jogadores dos clubes locais a surpreender na Eurocopa: Theodor Gebre Selassie. Lateral direito do Liberec, 25 anos, ele a bem da verdade está acostumado a surpreender. No último ano, se tornou o primeiro negro da história da República Checa a vestir a camisa da seleção. Convocado para a Eurocopa, também será o primeiro em grandes competições internacionais.
Alvo de racismo, lateral será primeiro checo negro na história da Euro - Foto: AFP
Selassie é antes de mais nada alguém com história pessoal para honrar a tradição do país no torneio – foi campeão em 1976, vice em 96 e semifinalista em 60, 80 e 2004. Campeão checo com o Liberec há algumas semanas após seis anos de jejum, ele superou até o racismo de torcedores rivais para honrar o nome do pai Chamola, médico etíope, e da mãe, professora checa. Ela, na verdade, é a única não totalmente feliz com o sucesso do filho. “Queria que ele tivesse terminado a faculdade”, conta Jana.
A mãe, lá no fundo, deve estar satisfeita com a ascensão de Selassie, que há quatro anos estava na quarta divisão checa e surpreende até os próprios treinadores. “Ele foi uma surpresa muito agradável. Mostrou uma luz positiva”, definiu Michal Bílek, treinador da República Checa após sua estreia em 2011. Desde então, o crescimento tem feito o lateral direito abafar qualquer tipo de rejeição local.
Em outubro, Selassie enfrentou o que não era exatamente estranho a ele, mas nunca havia surgido de forma tão expressiva. Melhor em campo na vitória de 3 a 0 do Liberec sobre o anfitrião Sparta Praga, marcou um golaço e fechou o caixão do time mais popular do país no torneio nacional. A resposta veio das arquibancadas com racismo, imitações de macaco, e o clube de Praga seria punido. Algo que a Liga Checa já havia vivenciado anteriormente. Mas o lateral reagiu com a força mental de sempre.
“Peço desculpas por isso, mas nasci na República Checa. Vivi aqui toda minha vida e só estive uma vez na Etiópia e foi há dois anos. Há um homem negro (Barack Obama) à frente do mais poderoso país do mundo e as pessoas falam muito sobre eu jogar pela seleção checa”, reagiu orgulhoso da própria biografia. “Estou feliz porque sou diferente. Ao menos sou mais visível”, diverte-se. “Por outro lado, quando jogo mal, há uma desvantagem”.
Esse tipo de reação, assegura a mãe, pautou o filho cheio de personalidade. “A vantagem é que ele tinha o caráter tão especial que isso ajudou a ele superar qualquer reação. Uma professora dizia que Theo ria o tempo todo na escola”, conta Jana ao Guardian. A Eurocopa é a primeira grande chance de Selassie mostrar seu sorriso ao mundo.
sábado, 19 de maio de 2012
25 de Maio: Dia da África
A Organização da Unidade Africana escolheu o dia da sua constituição, 25 de Maio de 1963 como o Dia da África, para o mundo celebrar e lembrar os africanos, medindo o progresso que este continente fazia e faz na comunidade internacional.
África! 47 Anos desde a criação, em Addis Abeba (Etiópia), da Organização de Unidade Africana (OUA), em carta assinada por 32 estados africanos já independentes na altura.
África! 47 Anos desde a criação, em Addis Abeba (Etiópia), da Organização de Unidade Africana (OUA), em carta assinada por 32 estados africanos já independentes na altura.
O acto constituiu-se no maior compromisso político dos líderes africanos, que visou a aceleração do fim da colonização do continente.
No dia 25 de Maio de 1963 reuniram-se 32 Chefes de Estado africanos com ideias contrárias à subordinação a que o continente estava submetido durante séculos (colonialismo, neocolonialismo e "partilha da África").
Dessa reunião, nasceu a OUA (Organização de Unidade Africana). Pela importância daquele momento, o 25 de Maio foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1972, Dia da Libertação de África.
A criação da OUA traduziu a vontade dos africanos de converterem-se num corpo único, capaz de responder, de forma organizada e solidária, aos múltiplos desafios com que se defrontam para reunir as condições necessárias à construção do futuro dos filhos de África.
Como a OUA mostrou-se incapaz de resolver os conflitos surgidos continuamente em toda a parte do continente, os golpes de estado tornaram-se uma prática. Economicamente, os indicadores também estavam longe de serem animadores, concorrendo para isso a própria instabilidade militar e as múltiplas epidemias.
Assim, a 12 Julho de 2002, em Durban, o último presidente da OUA, o sul-africano Thabo Mbeki, proclamou solenemente a dissolução da organização e o nascimento da União Africana, como necessidade de se fazer face aos desafios com que o continente se defronta, perante as mudanças sociais, económicas e políticas que se operam no mundo.
Contudo, resolveu manter a comemoração do Dia de Africa a 25 de Maio, para lembrar o ponto de partida, a trajetória e o que resta para se chegar à meta de "uma África unida e forte", capaz de concretizar os sonhos de "liberdade, igualdade, justiça e dignidade" dos fundadores.
Dos 54 estados africanos, 53 são membros da nova organização: Marrocos se afastou voluntariamente em 1985, em sinal de protesto pela admissão da auto-proclamada República Árabe Saharaui, reconhecida pela OUA em 1982.
Fonte do texto: www.radioecclesia.org
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Novelas brasileiras passam imagem de país branco, critica escritora moçambicana.
A romancista
moçambicana Paulina Chiziane nos traz o olhar africano sobre branquitude do
Brasil
Brasília - "Temos medo do Brasil." Foi com um desabafo inesperado que a romancista moçambicana Paulina Chiziane chamou a atenção do público do seminário A Literatura Africana Contemporânea, que integra a programação da 1ª Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília (DF). Ela se referia aos efeitos da presença, em Moçambique, de igrejas e templos brasileiros e de produtos culturais como as telenovelas que transmitem, na opinião dela, uma falsa imagem do país.
Brasília - "Temos medo do Brasil." Foi com um desabafo inesperado que a romancista moçambicana Paulina Chiziane chamou a atenção do público do seminário A Literatura Africana Contemporânea, que integra a programação da 1ª Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília (DF). Ela se referia aos efeitos da presença, em Moçambique, de igrejas e templos brasileiros e de produtos culturais como as telenovelas que transmitem, na opinião dela, uma falsa imagem do país.
"Para nós,
moçambicanos, a imagem do Brasil é a de um país branco ou, no máximo, mestiço.
O único negro brasileiro bem-sucedido que reconhecemos como tal é o Pelé. Nas
telenovelas, que são as responsáveis por definir a imagem que temos do Brasil,
só vemos negros como carregadores ou como empregados domésticos. No topo [da
representação social] estão os brancos. Esta é a imagem que o Brasil está
vendendo ao mundo", criticou a autora, destacando que essas representações
contribuem para perpetuar as desigualdades raciais e sociais existentes em seu
país.
"De tanto ver
nas novelas o branco mandando e o negro varrendo e carregando, o moçambicano
passa a ver tal situação como aparentemente normal", sustenta Paulina,
apontando para a mesma organização social em seu país.
A presença de
igrejas brasileiras em território moçambicano também tem impactos negativos na
cultura do país, na avaliação da escritora. "Quando uma ou várias igrejas
chegam e nos dizem que nossa maneira de crer não é correta, que a melhor crença
é a que elas trazem, isso significa destruir uma identidade cultural. Não há o
respeito às crenças locais. Na cultura africana, um curandeiro é não apenas o
médico tradicional, mas também o detentor de parte da história e da cultura
popular", detacou Paulina, criticando os governos dos dois países que permitem
a intervenção dessas instituições.
Primeira mulher a publicar um livro em Moçambique, Paulina procura fugir de estereótipos em sua obra, principalmente, os que limitam a mulher ao papel de dependente, incapaz de pensar por si só, condicionada a apenas servir.
Primeira mulher a publicar um livro em Moçambique, Paulina procura fugir de estereótipos em sua obra, principalmente, os que limitam a mulher ao papel de dependente, incapaz de pensar por si só, condicionada a apenas servir.
"Gosto muito
dos poetas de meu país, mas nunca encontrei na literatura que os homens
escrevem o perfil de uma mulher inteira. É sempre a boca, as pernas, um único
aspecto. Nunca a sabedoria infinita que provém das mulheres", disse
Paulina, lembrando que, até a colonização européia, cabia às mulheres
desempenhar a função narrativa e de transmitir o conhecimento.
"Antes do
colonialismo, a arte e a literatura eram femininas. Cabia às mulheres contar as
histórias e, assim, socializar as crianças. Com o sistema colonial e o emprego
do sistema de educação imperial, os homens passam a aprender a escrever e a
contar as histórias. Por isso mesmo, ainda hoje, em Moçambique, há poucas
mulheres escritoras", disse Paulina.
"Mesmo
independentes [a partir de 1975], passamos a escrever a partir da educação
europeia que havíamos recebido, levando os estereótipos e preconceitos que nos
foram transmitidos. A sabedoria africana propriamente dita, a que é conhecida
pelas mulheres, continua excluída. Isso para não dizer que mais da metade da
população moçambicana não fala português e poucos são os autores que escrevem
em outras línguas moçambicanas", disse Paulina.
Durante a bienal,
foi relançado o livro Niketche, uma história de poligamia, de autoria da
escritora moçambicana.
Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Martin Luther King: Eu tenho um sonho
Eu Tenho Um Sonho
28 de agosto de 1963 Washington, D.C.
Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Indepêndencia, estavam assinando uma nota promissória de que todo norte americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.
Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da Justiça. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violência físicas. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas. Isto porque muitos de nosssos irmãos brancos, como está evidenciado em sua presença hoje aqui, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que sua liberdade está inextricavelmente unida a nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.
Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amnhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano.
Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais".
Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.
Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo spiritual negro: " Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim.
28 de agosto de 1963 Washington, D.C.
Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Indepêndencia, estavam assinando uma nota promissória de que todo norte americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.
Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da Justiça. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violência físicas. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas. Isto porque muitos de nosssos irmãos brancos, como está evidenciado em sua presença hoje aqui, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que sua liberdade está inextricavelmente unida a nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.
Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amnhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano.
Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais".
Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.
Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo spiritual negro: " Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim.
Martin Luther King
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