quarta-feira, 8 de junho de 2011

ENCONTRO ESTADUAL AFRO-MINEIRO: A ÁFRICA QUE INCOMODA: A PROBLEMATIZAÇÃO DO LEGADO AFRICANO NO QUOTIDIANO BRASILEIRO



A Prefeitura de Contagem, através da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial / Espaço NEGRA, em parceria com o Governo do Estado e a Livraria & Editora Nandyala, realiza o Encontro Estadual Afro-Mineiro: A África que incomoda: A problematização do legado africano no quotidiano brasileiro, tendo como palestrante o Profº Dr Carlos Moore que abordará a questão racial a partir de uma perspectiva histórica, e não somente como uma questão de conjuntura.

Carlos Moore é cubano radicado na Bahia, doutor em Ciências Humanas (Universidade de Paris-7, França), 1983 e Doutor em Etnologia (Universidade de Paris–7, França), 1979. Nasceu e cresceu em Cuba, filho de pais jamaicanos, possuindo ambas as cidadanias. Obteve dois Ph.Ds na Universidade de Paris (França). Morou e trabalhou na Europa por quinze anos (França), na África por oito anos (Egito, Nigéria e Senegal), no Caribe por dezoito (Trinidad-Tobago, Guadalupe, Martinica), e viajou intensamente pelo sudeste da Ásia (Filipinas, Austrália, Ilhas Fidji, Papua Nova Guiné, Indonésia) em projetos de pesquisa, tendo agora fixado residência permanente no Brasil. Fluente em quatro línguas (francês, inglês, espanhol e português), Moore Wedderburn possui expertise em assuntos internacionais e o impacto que questões de raça, etnia e gênero exercem sobre a sociedade.

O Encontro acontece em Contagem no dia 15/06/2011, no horário de 13:00 às 17:30 horas, no Centro Cultural de Contagem – Rua Dr Cassiano, 120 – Centro/Contagem.

As inscrições serão feitas no período de 01/06/2011 a 10/06/2011 através do preenchimento da ficha em anexo encaminhada para igualdaderacial-contagem@hotmail.com.

Público alvo: Gestores FIPIR, Fórum Estadual de Educação para as Relações Étnico-Raciais, Professores da Rede Municipal e Estadual de Contagem, Gestores da Secretaria de Educação e Cultura de Contagem, Fórum Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Lideranças do Movimento Negro

Informações: (31)3398-4268

VAGAS LIMITADAS

terça-feira, 24 de maio de 2011

Morre Abdias do Nascimento, guerreiro do povo negro‏

Faleceu nesta manhã de terça, 24, no Rio de Janeiro, o escritor Abdias do Nascimento. Poeta, político, artista plástico, jornalista, ator e diretor teatral, Abdias foi um corajoso ativista na denúncia do racismo e na defesa da cidadania dos descendentes da África espalhados pelo mundo. O Brasil e a Diáspora perdem hoje um dos seus maiores líderes.. A família ainda não sabe informar quando será o enterro. Aos 97 anos, o paulista de Franca, passava por complicações que o levaram ao internamento no último mês. Deixa a esposa Elisa Larkin, filhos e uma legião de seguidores, inspirados na sua trajetória de coragem e dedicação aos direitos humanos. (Redação, Correio Nagô)

Foto: doolharnegro.blogspot.com

ABDIAS DO NASCIMENTO
Nascido em Franca, São Paulo, 14 de março de 1914.
Professor Emérito, Universidade do Estado de Nova York, Buffalo (Professor Titular de 1971 a 1981, fundou a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto-riquenhos).
Artista plástico, escritor, poeta, dramaturgo.
Formação acadêmica
Bacharel em Economia, Universidade do Rio de Janeiro, 1938.
Diploma pós-universitário, Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), 1957.
Pós-graduação em Estudos do Mar, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/ Ministério da Marinha, 1967.
Doutor Honoris Causa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1993.
Doutor Honoris Causa, Universidade Federal da Bahia, 2000.
Doutor Honoris Causa, Universidade do Estado da Bahia, 2008

Cargos Eletivos e Executivos Exercidos:
Deputado federal (1983-86).
Secretário de Estado, Governo do Rio de Janeiro, Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (SEAFRO) (1991-1994).
Senador da República (1991-99). Suplente do Senador Darcy Ribeiro, assumiu a cadeira no Senado, representando o Rio de Janeiro pelo PDT em dois períodos: 1991-1992 e 1997-99.
Secretário de Estado de Direitos Humanos e da Cidadania, Governo do Estado do Rio de Janeiro, 1999. Coordenador do Conselho de Direitos Humanos, 1999-2000.
 
Atividades e Realizações Principais:
1930-1936. Alista-se no Exército, e na capital de São Paulo participa da Frente Negra Brasileira. Participa das Revoluções de 1930 e 1932, na qualidade de soldado. Combate a discriminação racial em estabelecimentos comerciais em São Paulo.
1936. Muda para o Rio de Janeiro com o objetivo de continuar seus estudos de economia, iniciados em São Paulo.
1937. Protestando contra a ditadura do Estado Novo, é preso e condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional e cumpre pena na Penitenciária da Frei Caneca.
1938. Organiza junto com um grupo de militantes negros em Campinas, SP, o Congresso Afro-Campineiro, com o objetivo de discutir e organizar formas de resistência à discriminação racial.
1938. Diploma-se pela Faculdade de Economia da Universidade do Rio de Janeiro.
1940. Integrante da Santa Hermandad Orquídea, grupo de poetas argentinos e brasileiros, viaja com eles pela América do Sul. Em Lima, Peru, faz uma série de palestras na Universidad Mayor de San Marcos (Escola de Economia). Assiste à peça O Imperador Jones, de Eugene O'Neill, estrelada por um ator branco, Hugo D'Evieri, brochado de preto. A partir das reflexões provocadas por esse fato, planeja criar o Teatro do Negro Brasileiro ao retornar a seu país. Na Argentina, onde mora por mais de um ano, participa de movimentos teatrais com o objetivo de melhor conceitualizar a idéia do Teatro Negro.
1941. Voltando ao Brasil, é preso na Penitenciária de Carandiru, condenado à revelia por haver resistido a agressões racistas em 1936. Funda o Teatro do Sentenciado, organizando um grupo de presos que escrevem, dirigem e interpretam peças dramáticas.
1943. Saindo da prisão, procura em São Paulo apoio para a criação do Teatro do Negro. Não encontrando receptividade junto a intelectuais como o escritor Mário de Andrade, e outros, muda para o Rio de Janeiro.
1944. Funda, com o apoio de um grupo de negros e de setores da intelectualidade carioca, o Teatro Experimental do Negro (TEN). Na sede da UNE, realizaram-se os primeiros cursos de alfabetização, treinamento dramático e cultura geral para os participantes da entidade.
1945. Dirige o TEN na sua estréia no Teatro Municipal com o espetáculo O Imperador Jones, estrelado pelo genial ator negro Aguinaldo Camargo, em 08 de maio, dia da vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Daí em diante, até 1968, o TEN teve presença destacada no cenário cultural e teatral brasileiro.
1945. Com um grupo de militantes, funda o Comitê Democrático Afro-Brasileiro, que luta pela anistia dos presos políticos.
1945-46. Organiza a Convenção Nacional do Negro (a primeira plenária realizando-se em São Paulo e a segunda no Rio de Janeiro), que propõe à Assembléia Nacional Constituinte a inclusão de um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-Pátria. A iniciativa, apresentada à Assembléia Nacional Constituinte pelo Senador Hamilton Nogueira, não é aprovada.
1946. Participa da fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no Rio de Janeiro.
1948. Funda, junto com Sebastião Rodrigues Alves e outros petebistas, o movimento negro do PTB.
1949. Organiza, com a colaboração do sociólogo Guerreiro Ramos e do etnólogo Édison Carneiro a Conferência Nacional do Negro, preparatória do 1º Congresso do Negro Brasileiro.
1949-1951. Funda e dirige o jornal Quilombo, órgão de divulgação do TEN.
1950. Realiza no Rio de Janeiro o 1º Congresso do Negro Brasileiro, evento organizado pelo TEN.
1955. Realiza o Concurso de Artes Plásticas sobre o tema do Cristo Negro, evento polêmico que mereceu a condenação de setores da Igreja Católica e o apoio do bispo Dom Hélder Câmara.
1957. Forma-se na primeira turma do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Estréia a peça de sua autoria, Sortilégio: Mistério Negro, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo.
1968. Funda o Museu de Arte Negra, que realiza sua exposição inaugural no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Encontra-se alvo de vários Inquéritos Policial-Militares e se vê obrigado a deixar o país. Convidado pela Fairfield Foundation, inicia uma série de palestras nos Estados Unidos.
1968-69. Durante um semestre, atua como Conferencista Visitante da Yale University, School of Dramatic Arts. Inicia sua atuação como artista plástico, pintando telas que transmitem os valores da cultura religiosa afro-brasileira e da luta pelos direitos humanos dos povos africanos em todo o mundo. (Ver lista de exposições abaixo).
1969-70. Convidado pelo Centro para as Humanidades da Wesleyan University (Middletown, Connecticut), participa durante um ano, com intelectuais como Norman Mailer, Norman O. Brown, John Cage, Buckminster Fuller, Leslie Fiedler, e outros, do seminário A Humanidade em Revolta.
1970. É convidado para fundar a cadeira de Culturas Africanas no Novo Mundo, no Centro de Estudos Portorriquenhos da Universidade do Estado de Nova York em Buffalo, na qualidade de professor associado, no ano seguinte titular, e lá permanece até 1981.
1973. Participa da Conferência de Planejamento do 6º Congresso Pan-Africano em Kingston, Jamaica.
1974. Participa do Sexto Congresso Pan-Africano, Dar-es-Salaam, Tanzânia, como único representante da região da América Latina.
1976-77. Convidado pela Universidade de Ife, Ile-Ife, Nigéria, passa um ano como Professor Visitante no Departamento de Línguas e Literaturas Africanas.
1976. Participa, a convite do escritor Wole Soyinka, no Seminário Alternativas para o Mundo Africano, reunião em que funda-se a União de Escritores Africanos, em Dakar.
1977. Participa na qualidade de observador, perseguido pela delegação oficial do regime militar brasileiro, do Segundo Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas, realizado em Lagos. Denuncia, no respectivo Colóquio, a situação de discriminação racista vivida pelo negro no Brasil. Na Europa e Estados Unidos, participa da fundação, desde o exílio, do novo PTB (mais tarde, Partido Democrático Trabalhista - PDT).
1977. Participa, na qualidade de delegado e presidente de grupo de trabalho, do Primeiro Congresso de Cultura Negra nas Américas, realizado em Cáli, Colômbia.
1978. Participa em São Paulo do ato público de fundação e das reuniões organizativas do Movimento Negro Unificado contra a o Racismo e a Discriminação Racial. Participa da reunião internacional de exilados brasileiros O Brasil no Limiar da Década dos Oitenta, em Stockholm, Suécia.
1979. A convite do Bloco Parlamentar Negro (Congressional Black Caucus) do Congresso dos Estados Unidos, e do Sindicato de Trabalhadores do Correio, profere conferência na sede da Câmara dos Deputados em Washington, D.C.
1980. Participa, na qualidade de delegado especial, do Segundo Congresso de Cultura Negra das Américas, realizado no Panamá, e é eleito pelo plenário Coordenador Geral do Terceiro Congresso. No Brasil, lança o livro O Quilombismo e ajuda a fundar o Memorial Zumbi, organização nacional voltada à recuperação, em benefício da comunidade afro-brasileira e do mundo africano, das terras da República dos Palmares, na Serra da Barriga, Alagoas.
1981. Funda o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO) na PUC-SP. Integra a executiva nacional do PDT e funda a Secretaria do Movimento Negro do PDT, no Rio de Janeiro e a nível nacional. Participa da coordenação internacional do projeto Kindred Spirits, exposição itinerante de artes afro-americanas.
1982. Organiza e é eleito para presidir o Terceiro Congresso de Cultura Negra das Américas, realizado nas dependências da PUC-SP com representantes de todo o mundo africano exceto o Pacífico.
1983. Assume a cadeira de Deputado Federal, eleito suplente pelo PDT-RJ. É o primeiro deputado afro-brasileiro a exercer o mandato defendendo os direitos humanos e civis do povo afro-brasileiro. A convite da ONU, participa do Simpósio Regional da América Latina em Apoio à Luta do Povo da Namíbia pela sua Independência, em San José, Costa Rica. Visita a antiga sede da UNIA de Marcus Garvey em Limón. Viaja também a Nicarágua, participando de sessões da Assemblea Nacional e conhecendo as populações de origem africana em Bluefields, litoral oriental do país. Em Washington, D.C., participa do seminário Dimensões Internacionais: a Realidade de um Mundo Interdependente, a convite do Bloco Parlamentar Negro (Black Congressional Caucus), na sede do Congresso Nacional dos Estados Unidos.
1984. Cria, junto com um grupo de intelectuais e militantes negros, a Fundação Afro-Brasileira de Arte, Educação e Cultura (FUNAFRO), integrando o IPEAFRO, o Teatro Experimental do Negro, a revista Afrodiaspora, e o Museu de Arte Negra.
1985. A convite da ONU, participa da Simpósio Mundial em apoio à Luta do Povo da Namíbia pela sua Independência, em Nova York. Participa, novamente, de reunião internacional patrocinada pelo Bloco Parlamentar Negro dos Estados Unidos: a Conferência Internacional sobre a Situação dos Povos do Terceiro Mundo, na sede do Congresso norteamericano em Washington, D.C. Integrando comitiva oficial brasileira, visita Israel a convite do respectivo governo.
1987. Participa, na qualidade de delegado de honra,da Conferência Internacional sobre a Negritude e as Culturas Afro nas Américas, Florida International University, Miami. Integra o Conselho de Contribuintes do Município do Rio de Janeiro.
1987-88. Integra o Comitê Dirigente Internacional, Festival Pan-Africano de Artes e Cultura, Dakar, Senegal. Participa da direção internacional do Memorial Gorée, organização dedicada ao projeto de construção de um memorial aos africanos escravizados na ilha senegalesa que serviu como entreposto do comércio escravista. Integra a direção internacional do Instituto dos Povos Negros, organização internacional promovida com o apoio da UNESCO pelo governo de Burkina Faso e de outros países africanos e caribenhos.
1988. Profere a conferência inaugural da Série Anual de Conferências Internacionais W. E. B. DuBois em Accra, República de Gana, promovida pelo Centro de Estudos Pan-Africanos W. E. B. DuBois, e visita o país a convite do governo. Participa da Comissão Nacional para o Centenário da Abolição da Escravatura. Realiza exposição individual intitulada Orixás: os Deuses Vivos da África, na sede do Ministério da Educação e Cultura, o Palácio Gustavo Capanema.
1989. Na qualidade de consultor da UNESCO para assuntos culturais, passa um mês em Angola. É eleito Presidente do Memorial Zumbi e atua no Conselho de Curadores da Fundação Cultural Palmares, Ministério da Cultura. É nomeado Conselheiro representante do Município no Conselho de Contribuintes do Município do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Fazenda.
1990. A convite da SWAPO (movimento de libertação nacional transformado em partido político eleito ao primeiro governo da nação), participa da cerimônia de independência da Namíbia e posse do Governo Sam Nujoma, em Windhoek.
1990-91. Durante um ano atua como Professor Visitante, Departamento de Estudos Africano-Americanos, Temple University, Philadelphia. Acompanha Darcy Ribeiro e Doutel de Andrade na chapa do PDT para o Senado, sendo eleito suplente de senador.
1991. Assume a pasta de Secretário de Estado para a Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (SEAFRO) no Governo do Rio de Janeiro. A convite do Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul, participa de sua 48a Conferência Nacional presidido por Nelson Mandela, em Durban. É nomeado membro do Conselho de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.
1991-92. Assume a cadeira no Senado. Integra a comitiva presidencial em visita a Angola, Moçambique, Zimbabwe, e Namíbia. Participa no Primeiro Congresso Internacional sobre Direitos Humanos no Mundo Africano, patrocinado pela organização não-governamental AFRIC e realizado em Toronto, Canadá.
1993-94. Retoma a Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras.
1995. Participa das atividades do Tricentenário de Zumbi dos Palmares, em vários estados e municípios do Brasil e nos Estados Unidos. Lança o livro Orixás: os Deuses Vivos da África, com reproduções de suas pinturas, texto sobre cultura e experiência afro-brasileiras, e textos críticos de diversos autores (africanos, norteamericanos, caribenhos, e brasileiros) sobre a sua obra de artes plásticas. É Patrono do Congresso Continental dos Povos Negros das Américas, realizado no Parlamento Latinoamericano em São Paulo, em comemoração ao Tricentenário da Imortalidade de Zumbi dos Palmares, 20 de novembro de 1995.
1996. Recebe da Câmara Municipal de São Paulo o título de Cidadão Paulistano.
1997. Assume em caráter definitivo o mandato de senador da República. Recebe o prêmio de Menção Honrosa de Direitos Humanos outorgado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP. Realiza exposição de pintura no Salão Negro do Congresso Nacional.
1998. Participa com um comentário ao Artigo 4º da Declaração de Direitos Humanos por ocasião do cincoentenário desse documento da ONU em 1998, incluído em volume organizado e publicado pelo Conselho Federal da OAB. Outros artigos foram comentados por personalidades como o rabino Henry Sobel, Adolfo Pérez Esquivel, Evandro Lins e Silva, Dalmo de Abreu Dallari, João Luiz Duboc Pinaud, e outros. Realiza exposição de pintura (28 telas) na Galeria Debret em Paris.
1999. Assume, como titular fundador, a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro. É homenageado pela Câmara Municipal de Salvador entre cinco personalidades do mundo africano: Malcolm X, Abdias Nascimento, Martin Luther King, Patrice Lumumba, Samora Machel.
2000.. Extinta a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, preside provisoriamente o Conselho de Direitos Humanos e volta a dedicar-se às atividades de escritor e pintor. Recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia.
2001. É agraciado pelo Schomburg Center for Research in Black Culture, centro de referência mundial que integra o sistema de bibliotecas públicas do município de Nova York, com o Prêmio Herança Africana comemorativo dos 75 anos da fundação daquela instituição. A comissão de seleção dos premiados foi constituída pelo ex-prefeito de Nova York, David N. Dinkins, a poetisa Maya Angelou, o cantor Harry Belafonte, o ator Bill Cosby, a diretora da editora Présence Africaine Mme. Yandé Christian Diop, o professor Henry Louis Gates da Harvard University, a coreógrafa Judith Jamison, o cineasta Spike Lee e o reitor da Universidade das Antilhas Rex Nettleford. As outras cinco personalidades homenageadas com o prêmio em cerimônia realizada na sede da ONU foram o intelectual senegalês e ex-diretor da UNESCO M. Amadou Mahktar M'Bow, a coreógrafa e antropóloga Katherine Dunham, a ativista dos direitos civis e fundadora da Organização das Mulheres Negras dos Estados Unidos Dorothy Height, o fotógrafo Gordon Parks, e músico e fotógrafo Billy Taylor.
Convidado pela Fórum Nacional de Entidades Negras, faz o discurso de abertura da 2ª Plenária de Entidades Negras Rumo à 3ª Conferência Mundial Contra o Racismo, Rio de Janeiro, 11 de maio de 2001.
É agraciado com o Prêmio Cidadania 2001, da Comunidade Bah'ai do Brasil, conferido em Salvador em junho.
Inaugura-se em julho o Núcleo de Referência Abdias Nascimento, contra o Racismo e o Anti-Semitismo, e seu Serviço Disque-Racismo, iniciativas da Fundação Municipal Zumbi dos Palmares, Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro.
Profere discurso de abertura do 1º Encontro Nacional de Parlamentares Negros, Salvador, Bahia, 26 de julho de 2001.
Convidado pela Coalizão de ONGs da África do Sul (SANGOCO), profere palestra na mesa Fontes, Causas e Formas Contemporâneas de Racismo, Fórum das ONGs, 3ª Conferência Mundial Contra o Racismo, Durban, África do Sul, 28 de agosto de 2001.
É agraciado com a Ordem do Rio Branco, no grau de Oficial, Brasília, outubro de 2001.
É agraciado com o Prêmio UNESCO, categoria Direitos Humanos e Cultura de Paz, outubro de 2001.
2002. Lança os livros O Brasil na Mira do Pan-Africanismo (CEAO/ EdUFBA) e O Quilombismo, 2ª ed. (Fundação Cultural Palmares).
É convidado pelo Liceu de Artes e Ofícios da Bahia a ser o palestrante da segunda de suas novas Conferências Populares, continuando essa tradição centenária no seu 130o aniversário.
Participa das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra em Porto Alegre, 20 de novembro.
É homenageado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia, na sua 4ª Conferência Nacional realizada em Brasília em 11 de dezembro, como personalidade destacada na história dos direitos humanos no Brasil.
Exposição Abdias do Nascimento: Vida e Arte de um Guerreiro, Centro Cultural José Bonifácio, Rio de Janeiro, inaugurada em dezembro.
2003. Discursa, na qualidade de convidado especial, na inauguração da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Brasília, 21 de março.
É homenageado pela Fala Preta! Organização de Mulheres Negras de São Paulo, como personalidade destacada na defesa dos direitos humanos dos afrodescendentes brasileiros, 22 de abril.
Publica em maio edição em fac-símile do jornal Quilombo (São Paulo: Editora 34).
Recebe o Diploma da Camélia, Campanha Ação Afirmativa/ Atitude Positiva, CEAP e Coalizão de ONGs pela Ação Afirmativa para Afrodescendentes, Rio de Janeiro, 17 de novembro.
Recebe o Prêmio Comemorativo das Nações Unidas por Serviços Relevantes em Direitos Humanos, Rio de Janeiro, 26 de novembro.
2004. No Seminário Internacional Políticas de Promoção Racial, recebe o Prêmio de Reconhecimento da Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Brasília, 21 de março de 2004.
Recebe homenagem da Presidência da República aos 90 anos "do maior expoente brasileiro na luta intransigente pelos direitos dos negros no combate à discriminação, ao preconceito e ao racismo". Brasília, 21 de março de 2004.
Recebe prêmio de Reconhecimento 10 Years of Freedom - South Africa 1994-2004, do Governo da África do Sul, abril de 2004.
Profere palestra "Memorial de Luta", no Seminário O Negro na República Brasileira: Pautas de Pesquisa, promovido pelo Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afro-Descendente da PUC-Rio, maio de 2004.
Participa do VII Congresso da BRASA, Associação de Estudos Brasileiros, na qualidade de homenageado no Painel sobre a sua vida e obra, realizado em sessão plenária do dia 10 de junho de 2004, na PUC-Rio.
Participa do Fórum Cultural Mundial, realizado em São Paulo em julho de 2004, como homenageado no painel Abdias Nascimento, um Brasileiro no Mundo, organizado pela SEPPIR, em que é lançado oficialmente o seu nome para o prêmio Nobel da Paz, ampliando a repercussão da indicação feita pelo Instituto de Advocacia Ambiental e Racial - IARA.

Campanha da UNICEF - Por uma infância sem racismo

A negritude em Aimé Césaire


No discurso sobre a Negritude feita por Aimé Césaire em 1987, na cidade de Maimi, ele diz que:

"[...] palavra por vezes desacreditada, por vezes desgatada, mas, de toda maneira, uma palavra de emprego e de manejo difíceis: a palavra Negritude. A Negritude, aos meus olhos, não é uma filosofia. A Negritude não é uma metafísica. A Negritude não é uma pretensiosa concepção do universo. É uma maneira de viver a história dentro da história; a história de uma comunidade cuja experiência parece, em verdade, singular, com suas deportações de populações, seus deslocamentos de homens de um continente a outro, suas lembranças distantes, seus restos de culturas assassinadas. [...] Vale dizer que a Negritude, em seu estágio inicial, pode ser definida primeiramente como tomada de consciência da diferença, como memória, como fidelidade e como solidariedade.


Mas a Negritude não é apenas passiva. Ela não é da ordem do esmorecimento e do sofrimento. Ela não é nem da ordem do petético nem do choramingo. A Negritude não resulta é uma atitude proativa e combativa do espírito. Ela é um despertar; despertar de dignidade. Ela é uma rejeição; rejeição da opressão. Ela é um luta, isto é, luta contra a desigualdade. Ela é também revolta. Mas, então, me dirão os senhores, revolta contra o que? [...] Eu creio que se pode dizer, de maneira geral, que, historicamente, a Negritude foi uma forma de revolta, em princípio contra o sistema mundial da cultura tal qual ele se constitui durante os últimos séculos e que se caracteriza por um certo número de preconceitos, de pressupostos que resultam em uma hierarquia muito rígida.

Fonte: Aimé Cesairé. Belo Horizonte. Nandyala, 2010.

domingo, 24 de abril de 2011

Ideograma Adinkra do povo Akan

Adinkra significa "adeus" porque eram utilizados para adornar o vestuário usado nas cerimônias fúnebres. Surgiram entre os Asantes, provavelmente no século XVII. Os símbolos usados na roupa dos participantes na cerimônia expressavam as qualidades atribuídas ao defunto.

Todos os símbolos adinkra têm um nome e transmitem uma mensagem e estão associados a provérbios.

Sankofa

O conceito de Sankofa (Sanko = voltar; fa = buscar, trazer) origina-se de um provérbio tradicional entre os povos de língua Akan da África Ocidental, em Gana, Togo e Costa do Marfim.


Nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás.
Símbolo da importância da aprendizagem do passado.

Funtunfunafu

(crocodilos siamesis)
Os dois crocodilos dividem um estômago e logo aprendem que, ao brigar entre si, ficam os dois com fome.
Símbolo da necessidade de unidade.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Americanos acham que Brasil não age contra o racismo

Há dois dias da chegada do presidente Barack Obama (foto) ao Brasil, telegramas vazados pelo siteWikiLeaks revelam que a falta de ação do Governo brasileiro contra os efeitos do racismo praticado contra os negros – mais da metade da população – faz parte da agenda e das preocupações dos EUA com o Brasil.

O Brasil é o país com maior população negra do mundo fora da África - 51,3%, segundo a última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD), do IBGE - com mais de 95 milhões de afro-brasileiros. Para os diplomatas americanos, 50% dos brasileiros seriam considerados negros nos EUA.

Em 2008, os Governos brasileiro e americano assinaram um Plano de Ação para Promoção da Igualdade Racial (JAPER, na sigla em inglês) um acordo bilateral contra a discriminação racial, que tem como objetivo estabelecer parcerias de longo prazo para combater a desigualdade racial nas áreas da Educação, Saúde, Cultura, Justiça, Habitação, Trabalho e Desenvolvimento Econômico.

Telegramas vazados

A preocupação americana fica clara em um pacote de 25 telegramas da embaixada dos EUA, em Brasília e do consulado em S. Paulo, que abrangem o período de 2004 a 2009, em que diplomatas concluem que os brasileiros não dão a devida atenção ao assunto. “Muitos alegam que o racismo não existe, apesar das evidências esmagadoras do contrário”, diz um telegrama, revelado pelo Jornal O Globo.

"A discriminação contra afro-brasileiros mancha a reputação internacional do Brasil de país tolerante e lar acolhedor para centenas de grupos indígenas e imigrantes de todos os cantos do mundo", afirma outro.

Para diplomatas norte-americanos a vontade dos Governos brasileiros em tomar atitudes concretas em relação à discriminação racial é questionável. Eles não vêem medidas objetivas nos setores público e privado para acabar com as dificuldades sociais e econômicas pelas quais passam os negros brasileiros.

"A verdadeira questão é se os brasileiros, como um todo, estão prontos para reconhecer o problema e estão dispostos a agir", diz outro telegrama.

Declaração

O acompanhamento da questão racial no Brasil pelo Governo americano fica clara também em telegrama, agora vazado pelo WikiLeaks com a declaração da então ministra chefe da SEPPIR, Matilde Ribeiro, que, em 2007, disse não considerar racismo “quando um negro se insurge contra um branco”. De acordo com um diplomata dos EUA, a declaração ajudou a chamar a atenção para o assunto.

Outro tema que também é monitorado é o das cotas raciais nas universidades públicas. Os americanos captaram as impressões ouvidas em diversos setores da sociedade de que “a questão é controversa”.

Atualmente 108 universidades brasileiras, já dispõe de algum tipo de ação afirmativa por iniciativa de seus Conselhos Superiores. Mais da metade delas adotaram a reserva de vagas, com cotas para negros e indígenas.

As Ações Afirmativas no Governo, porém, se restringem ao Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, que adota, por intermédio do Instituto Rio Branco, uma política de cotas para jovens negros interessados em seguir a carreira diplomática.

Este ano, o Supremo Tribunal Federal deverá julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo Partido Democratas (DEM), que pretende seja declarada inconstitucional a política de cotas para negros e indígenas adotado pela Universidade de Brasília (UnB). Se isso acontecer todo o sistema de cotas, em todas as Universidades, será declarado inconstitucional.

Fonte: Afropress

sábado, 19 de março de 2011

Visita de Obama: Dilma sugere construção entre iguais e fim da "retórica vazia"

Em clima protocolar, hoje, 19 de março, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou ao Palácio do Planalto, em Brasília, nessa que é a sua primeira visita à América Latina. Com cerca de 30 minutos de atraso, Obama cumprimentou a presidente Dilma Rousseff e seus ministros, dentre eles o ministro da fazenda Guido Mantega e
das relações exteriores, Antônio Patriota.

Obama é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Em 2008, durante o processo eleitoral, ativistas negros de todo o mundo manifestaram apoio a sua candidatura que representou um marco para o mundo, sobretudo, nos EUA, um país marcado por forte violência racial, em que negros sofriam ataques de grupos extremistas e a própria lei promovia segregação formal, o que se seguiu até a década de sessenta, quando da explosão dos movimentos civis liderados por líderes como Martin Luther King e Rosa Parks.

Distante da conquista racial alcançada pelos Estados Unidos por ter um governante negro, o Brasil, que tem a população de pelo menos 45% de afrodescendentes, apresentou ao presidente Obama um Brasil diferente da realidade das ruas. A cerimônia aparentemente não contou com a presença dos ministros negros do governo Dilma, como Orlando Silva (Esporte) e Luiza Bairros (Seppir), reforçando a falta de visibilidade dos personagens negros na política nacional, o que comprova que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para ser de fato uma nação que respeita a diversidade racial.

Chamou à atenção também na cerimônia de chegada de Obama, as apresentações culturais exibidas à primeira-dama estadunidense, Michele Obama, como os grupos Raízes do Brasil, de capoeira, e a banda percussiva de mulheres, Batalá, desconhecidos para o público brasileiro. Esperava-se, por exemplo, grupos tradicionais da cultura negra brasileira, como, por exemplo, o grupo Olodum, Ilê Aiyê ou a banda Didá, primeira banda percussiva de mulheres do Brasil, criada pelo saudoso Neguinho do Samba, invetor do Samba-Reggae.



Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República/Divulgação
Discursos

Em discurso no Planalto, a presidente Dilma disse estar honrada em receber Obama e ressaltou o histórico momento, no qual a primeira mulher presidente do Brasil se encontra com o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Lembrou do ex-presidente Lula, classificando-o como "um homem do povo", que proporcionou cidadania para os brasileiros, mulheres e homens que viviam à margem da sociedade.

Dilma disse, também, que Obama encontrou o país "no momento mais vibrante" e que o Brasil seria "um dos mais dinâmicos mercados do mundo". Frisou, entretanto, que ainda é preciso tratar das contradições na relação entre os dois países, como os "desequilíbrios econômicos", criticando as ações protecionistas dos EUA.

A presidente pontuou em seu discurso que, embora tardias, diante da crise econômica mundial, as reformas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) são necessárias e importantes. Já em relação a Organização das Nações Unidas (ONU) comentou que ainda existe a possibilidade e oportunidades de antecipação nas reformas, sugerindo o interesse do Brasil em ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança, a mais importante instância da organização global.

Reforçando a ideia da participação brasileira no Conselho de Segurança da ONU, Dilma remeteu-se ao histórico brasileiro de diálogo e tolerância. Segundo a presidente, "o Brasil tem o compromisso com a paz, a democracia e o consenso", lembrando a relação pacífica do país com os seus vizinhos de fronteiras.
Na sequência, argumentou que no passado existia uma "retórica vazia" na relação entre o Brasil e os Estados Unidos e que espera, nesta nova fase de aproximação, "uma construção entre iguais, por mais distintos que sejam esses países".

Apesar de ressaltar o Brasil como um país multiétnico, no qual convivem distintas e ricas culturas, a presidente Dilma não citou, em seu discurso, o Plano Brasil-Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Étnica e Racial (JAPER), acordo diplomático assinado em 2008 pelas duas nações, que prevê uma atuação conjunta dos governos nas áreas de educação, segurança, saúde, cultura e comunicação e justiça ambiental, isso no ano internacional dos afrodescendentes, criado pela ONU. Da mesma forma, no discurso de Obama não houve menção ao Plano que é considerado estratégico para a diplomacia dos Estados Unidos no Brasil. Há expectativa que na passagem de Obama pelo Rio de Janeiro o tema seja mencionado.

Obama, em seu discurso, agradeceu a presente Dilma pelo fortalecimento das alianças nas relações entre Estados Unidos e Brasil, referenciou a nação brasileira como a segunda economia das Américas, citando a criação do G-20, grupo das vinte maiores potências mundiais, o que permite um maior protagonismo do Brasil.

O presidente estadunidense falou dos acordos entre os dois países, que incluem dialógos financeiros, expansão da transferência tecnológica, enalteceu o status do Brasil no desenvolvimento de energia limpa e como o país é estratégico no fornecimento de petróleo e na transferência tecnológica dos biocombustíveis. Na área militar, enfatizou a importante parceira do Brasil no tratamento da crise do Haiti, no combate ao contrabando de armas nucleares, entre outros temas. Obama não deixou de falar sobre a crise na Líbia, que está sendo discutida pela ONU, dizendo que há urgência de se fazer cumprir os direitos humanos naquele país.

Diferentemente da visita de Obama ao Brasil, que está em destaque na mídia nacional, o principal assunto dos Estados Unidos é a crise política na Líbia. Na opinião de setores da mídia nos Estados Unidos, neste momento Obama deveria estar em solo estadunidense e direcionar todos os esforços para resolver o grave problema do país africano. Nessas análises, os Estados Unidos tem perdido espaço de liderança para países como França e Reino Unido.

Paulo Rogério e Keila Costa - Correio Nagô –
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